Quando passar na polícia, você vai precisar matar? - Concurso Policial - o passo-a-passo para se tornar policial

Carreira Policial

Quando passar na polícia, você vai precisar matar?

Capitão Danillo
Escrito por Capitão Danillo
Quando passar na polícia, você vai precisar matar?
Dicas e técnicas para chegar à aprovação mais rápido

Aprenda a se preparar para o seu Concurso Policial:

Talvez incentivados pelos filmes de Hollywood ou pelos exageros sensacionalistas de alguns programas de televisão, alguns candidatos ao concurso da polícia vivem numa atmosfera que considera a possibilidade do policial matar como algo banal e até desejado. Mas a realidade é bem diferente do que falam os memes das redes sociais.

Para começar, é preciso dizer que toda ação policial que resulta em morte é alvo de análise jurídica, para atestar, ou não, que a atuação ocorreu dentro do que a lei autoriza – legítima defesa de si ou de terceiros. Quando você for policial, esse tipo de ação, se ocorrer, vai passar por uma apuração, e, caso seja detectado que houve abuso, o policial pode, a depender do caso, perder a farda e/ou até ser preso.

Além disso, ações policiais que tenham o resultado morte costumam ter cobertura e repercussão midiática ampla. No caso de cometimento de abuso, o policial pode ser exposto negativamente, tendo sua reputação marcada para sempre.

Sem falar nas consequências psicológicas geradas pelo ato de matar. É muito comum que policiais que mataram em serviço sofram do chamado transtorno do estresse pós-traumático. Veja alguns sintomas próprios de casos assim:

  • Lembranças persistentes – reviver involuntariamente o trauma através de memórias angustiantes e repetitivas, pesadelos ou sensação de que o evento traumático está acontecendo novamente (“flashbacks”);
  • Reações físicas – circunstâncias que remetem à lembrança do trauma podem desencadear sintomas fisiológicos, incluindo sudorese, náusea e tremores;
  • Comportamento de esquiva – evitar lugares, pessoas e atividades que trazem recordações dolorosas. A pessoa também pode ser incapaz de lembrar ou falar sobre o ocorrido;
  • Excitação exagerada – inclui ficar em estado de alerta constante, explosões de raiva, dificuldade para dormir e para se concentrar;
  • Crenças e emoções negativas – por exemplo, dificuldade de confiar nos outros e manter relacionamentos próximos; perda de interesse em atividades; sentimento de culpa e vergonha. 

Isso significa que matar em serviço é algo que pode ser evitado, para que que o policial fuja dessas consequências? Não. Quando você se tornar policial, pode passar por situações em que precisará reagir a agressões, para preservar sua vida e a de outros cidadãos que estejam na ocorrência.

Por isso é extremamente importante que o policial treine o suficiente para usar todas as técnicas possíveis que evitem o efeito morte, e, caso necessário, consiga atuar com precisão técnica, sem abusos nem exageros. Mesmo havendo vários casos de policiais que se aposentam sem nunca terem matado alguém, você precisará estar preparado para essa possibilidade.

A título de exemplo, em 2019, no estado de São Paulo, ocorreram 736 mortes de pessoas em ações policiais. No mesmo ano, as polícias paulistas prenderam 212.702 pessoas. Ou seja: a quantidade de pessoas mortas em ocorrências policiais corresponde a 0,3% da quantidade de pessoas presas.

Se a sua mentalidade está, de alguma maneira, associando a atividade policial ao ato de matar pessoas indiscriminadamente, é bom rever esse entendimento. Matar em serviço é uma possibilidade, não algo desejável ou rotineiro.

Quer mais conteúdo?

Deixe um comentário com dúvidas, pedidos ou sugestões: