Não sei escrever. E agora?

Não sei escrever. E agora?

Antes de aprender a caminhar, você engatinhou. Caiu, é verdade, mas aprendeu! E aprendeu porque começou e persistiu.

O processo da escrita ocorre do mesmo jeito! Ouço tantas pessoas (taaaaaaaantas pessoas) dizerem que têm medo de escrever, que não sabem escrever, que sabem que escrevem mal e, por isso, sentem-se desanimadas a buscar novamente lápis e papel. E sempre digo a essas pessoas que, enquanto elas não tomarem uma atitude, não vão sair de onde estão. É isso que elas querem? É isso que você aí quer? Claro que não! Então vamos lá!

É preciso que você entenda que muitas das inseguranças que sente são naturais. Compreendido isso, e aceitando lidar com suas próprias limitações, vem a etapa de começar a crescer.

Entenda que muitos cometem erros. Você não está sozinho(a)! O que mais importa neste momento é não se deixar dominar pelo que você não aprendeu. E passar a correr atrás do tempo perdido. Escreva! Deslize na gramática! Aos poucos, com esforço, os tropeços vão diminuindo. Vejo isso em muitos de nossos alunos! Dão a “cara a tapa”, enviam suas redações, cometem grandes erros, mas percebem as nossas correções e não mais os repetem. Crescem! Você, em casa, deve fazer o mesmo: escrever e escolher algum professor ou amigo e pedir que leiam a sua produção textual. Eles, certamente, ajudarão muito nessa etapa de identificar deslizes.

Outra etapa importante no processo da escrita é escrever sem se preocupar, naquele momento, se está errando na ortografia, na construção dos períodos, na conexão entre eles etc. Enquanto escreve, é preciso deixar as ideias fluírem. Cada vez que você parar para pensar se aquela vírgula está bem encaixada, se a regência daquele verbo é aquela, se tal palavra está grafada errada, você corre o risco de perder uma ideia que tinha em mente. Então, escreva! Escreva sem parar! Depois que finalizar o seu rascunho, volte fazendo as devidas análises, corrigindo o que encontra pelo caminho. Você acha que este texto que está lendo agora não foi revisado depois de escrito?

Normalmente, o processo de revisão nos leva ao processo de reescrita. E acho que você já percebeu que escrever exige dedicação, paciência, persistência. Nada melhor que as palavras do grande Graciliano Ramos para ilustrar o que bem conhecemos:

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Por fim, você deve estar se perguntando: como farei tudo isso na hora da minha prova? Esclareço: isso não é o que você deve fazer na hora da prova. Isso é o que você deve fazer desde bem antes dela. E também por toda a vida!

Um abraço,

Ena Lélis

Consultora do Programa Redação Nota Dez, especializado em Redação e Língua Portuguesa para concursos públicos e vestibulares.

  • Tiago Dias

    Muito obrigado Ena Lélis!!!